Quilombelas e quilombelos, no dia Nacional da Consciência Negra primeiramente, nos parabenizar, pois sobrevivemos.
Sobrevivemos e somos as/os herdeiras/os da resistência, da alegria de viver, de uma cultura tão rica que vem beneficiar e HUMANIZAR até mesmo àqueles que nos oprimem. Somos resilientes e isso tem nos ajudado a superar todas as adversidades, coletivamente.
Mas, também precisamos lembrar que os valores que nos trouxeram até aqui e possibilitaram a nossa sobrevivência precisam ser resgatados e cada vez mais reafirmados. Coletividade, SOLIDARIEDADE, respeito às diferenças, respeito aos nossos mais velhos… são princípios que vão sendo substituídos por outros, estranhos à nossa cultura, que vêm nos dividir, nos diferenciar e envenenar nossas mentes: o sexismo, o preconceito, o individualismo, o consumismo, o fundamentalismo religioso,etc .
Todos os que NÃO sobreviveram nos deixaram esta herança, mas também este compromisso:
Quando vemos nossos jovens assassinados nas ruas da nossa tão bela e tão desigual Salvador (e de todas as grandes cidades brasileiras)…
Quando vemos a violação de nossos templos, onde as heroínas de ontem e de hoje moldaram uma nova identidade humana para a desumanização que o escravismo e o rascismo impõe…
Quando começamos a ter medo de crianças que poderiam ser nossos filhos ou netos…
Quando na Academia, querem nos fazer falar de nós em terceira pessoa, como se o conhecimento devesse nos afastar dos nossos…
Quando nossa luta vira palco político e o 20 de novembro começa a dar lucro às elites brancas dominantes e tudo se reconfigura num grandioso espetáculo global…
Quando a maior televisão aberta do país coloca uma mulher negra para se ajoelhar e pedir perdão a uma mulher branca seguida de um tapa na cara…
Quando…
Então percebemos que há ainda um TUDO por fazer e pensamos que somos muito pequenos e incapazes para tão gigantesca tarefa. Engano. Já temos as ferramentas, como já foi dito, nossos antepassados nos deixaram “régua e compasso”; cada uma e um – à sua maneira – vai dando sua contribuição para reconstruir este TODO.
Das Mães das comunidades religiosas às mães das associações de bairros, passando por todos os que trabalham diariamente com as crianças e jovens em situação de risco, nos lares, nas ruas, nas escolas públicas, nos grupos de mulheres, nos quilombos (rurais ou não), nos grupos de capoeira, nas prisões, na academia, nos tribunais, nas organizações sindicais…. a todas e todos PARABÉNS!
TOBOSSIS quer ser mais um tijolinho a somar nesta empreitada.
VIVA TODOS QUE MANTÉM ESTA CHAMA DE RESISTÊNCIA ACESA!
VIVA DANDARA! VIVA ZUMBI! VIVA LÉLIA! VIVA MAHIN! VIVA ACOTIRENE! VIVA ZEFERINA! VIVA MARIA FELIPA E BONITA!
E VIVA AS CENTENAS DE MILHARES DE TOBOSSIS ESPALHADAS PELA DIÁSPORA AFRICANA!
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